7 - TERAPIA DA LUXÚRIA (7º aula)

Para a maior parte das pessoas, especialmente os mais jovens, a luxúria é uma grande chaga que impede o crescimento da vida espiritual. Isso se dá por uma razão muito simples: o vício da luxúria é uma perversão que se instala na capacidade de amar e a destrói. Urge, portanto, que seja curada.

A luxúria é um pecado capital, logo possui uma virtude oposta, que é a castidade. Atualmente, porém, a castidade possui um sentido negativo, de castração, como se ela podasse as energias sexuais das pessoas. Todavia, essa visão - comum em um ambiente hiperssexualizado - não corresponde à da antropologia cristã, em que a castidade é um sinônimo para o amor.

Os Santos Padres já ensinavam que não é pela força, nem pela coação, que se alcança o estado de saúde ideal do corpo e da alma. João Cassiano, por exemplo, afirma: "Castitas non ut arbitramini districtionis praesidio, sed amore sui et propriae puritatis delectatione subsistit - A castidade, no entanto, não depende apenas, como pensais, de uma rigorosa vigilância. Mas, tal virtude subsiste pelo amor que nos inspira e pela felicidade que nos proporciona" [1].

É o amor que move a alma para o seu estado ideal, e o caminho para a castidade é um voo em direção a algo extremamente prazeroso, no sentido espiritual da palavra; longe de ser algo etéreo, trata-se de uma realidade positiva e que proporciona uma felicidade palpável e concreta.

O mesmo João Cassiano, na sua obra "Constituições Cenobíticas", adverte que há uma diferença entre ser casto e ser continente: enquanto esta possui um viés negativo - alguém continente apenas deixou de fazer algo -, aquela tem a ver com a intenção com que se deixou de fazer algo:"Aliud enim est, continentem esse, id est, εγκρατη; aliud castum, et, ut ita dicam, in affectum integritatis vel incorruptionis transire, quod diciturαγνόν" [2].

O continente, portanto, é aquele que não faz sexo e interiormente também não ama. O casto, por sua vez, mantém relações sexuais e ama sua esposa, seus filhos. Não é a presença ou ausência de relacionamento sexual que determina a castidade, mas sim, o amor. O continente é estéril, enquanto o casto é fecundo justamente no amor.

Alguns psicólogos modernos, como Amedeo Cencini, em sua obra Per amore, con amore, nell'amore. Libertà e maturità affettiva nel celibato consacrato ["Por amor, com amor, no amor. Liberdade e maturidade afetiva no celibato consagrado"] [3], adaptaram em linguagem da psicologia moderna os escritos dos Padres do Deserto, e muitos acham que se trata de algo novo. Mas não é. Trata-se de algo ensinado há muito pela Igreja, mas que estava esquecido.

Cencini diz que as punções (ou energias) sexuais devem ser integradas ao projeto de vida de cada um, o que para os cristãos significa conformar-se ao projeto divino. A energia sexual, pois, não deve ser castrada ou desperdiçada, mas, integrada ao projeto de Deus para o homem - que é amá-Lo em e sobre todas as coisas -, deve ser um trampolim para amar ainda mais a Deus.

E essa capacidade é dada tão somente ao homem, uma vez que os anjos não possuem matéria. Quando o resultado da energia que provém do composto corpo e alma é desordenado, instala-se no ser humano uma espécie de idolatria. É por isso que direcionar tais punções para Deus é a cura do vício da luxúria.

Mas, como fazer isso na prática? A primeira arma do demônio na área da luxúria é a mentira. Basta ver que o sexo desregrado recebe o nome de "fazer amor", o que não poderia ser mais errôneo. Quando, pois, a tentação chegar, é preciso resistir e pedir a graça de amar, suplicando a Deus por ela.

"Jesus, estou cansado de usar e de ser usado. Não quero mais isso. Dai-me a graça de amar. Dai-me a graça de derramar o meu sangue pelas pessoas".

Amar uma pessoa é querer que ela se una a Deus. Assim, a cura para a idolatria por trás da luxúria está em colocar o Deus Verdadeiro no centro dos relacionamentos. Está em respeitar a alteridade, o mistério do outro, derramando o próprio sangue - se necessário for - para fazer a vontade de Deus, que é levar o outro para o céu.

Não se trata de algo abstrato, mas sim muito prático: ao ver uma mulher mal vestida, em vez de alimentar pensamentos pecaminosos, deve-se rezar por ela, suplicando a Deus que a transforme, que a salve, que a ilumine.

Todos são chamados à castidade. Solteiros, casados, celibatários. E, como muitos pensam, a castidade é, de fato, algo de outro mundo, pois ela não é possível, em absoluto, sem a graça divina. Todavia, esta graça necessária não é algo raro; basta observar as estatísticas atuais para perceber que, de cada 10 pessoas, seis são solteiras, ou seja, chamadas ao celibato (ainda que temporário). Deste modo, a graça da castidade não pode ser rara, pois Deus não chamaria tantas pessoas para esse estado sem lhes dar os meios necessários de alcançá-lo. Pensar assim seria uma afronta à bondade de Deus.

Ele está disposto a conceder a graça da castidade perfeita (continência física e pureza de coração, conhecida como "celibato") a sessenta por cento da população brasileira. Isso é fato, as estatísticas o provam. Mas, por que esse percentual não vive a castidade perfeita? Por uma razão muito simples: a graça da castidade perfeita não é pedida a Deus. O primeiro passo, portanto, é crer na graça, que o Amor existe.

O Amor se fez carne, não é um ideal. Ele nasceu, viveu, derramou Seu Sangue e morreu por nós, portanto, é muito concreto, é até mesmo histórico. E está a disposição de todos na sagrada Eucaristia. Cada vez que se recebe a Hóstia Consagrada, recebe-se o Corpo Castíssimo, o coração puríssimo e santo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Logo, basta sentar-se à Sua Porta e suplicar, implorar, a graça de amar.

Os santos o fizeram. E nós, como eles, precisamos canalizar as nossas inconsistências para o nosso ideal espiritual. Portanto, não há que se falar em castração, ao contrário, lembremo-nos sempre de que o outro nome para a castidade é o amor.

Na próxima aula será abordado o modo como cada um dos dois sexos deve viver a castidade.

Referências

  1. João Cassiano - "Conferências 8 a 15", p. 138
  2. João Cassiano - "Conferências Cenobíticas - Livro VI, Cap. IV", p. 270
  3. Per amore, con amore, nellr'amore. Libertà e maturità affettiva nel celibato consacrato - Cencini Amedeo - Libro - EDB - Psicologia e formazione - IBS
 
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