PARÚSIA

Esta palavra vem do grego Parousia e, literalmente significa presença ou chegada.

Desde tempos imemoriais se usou esta expressão para significar a chegada de um rei ou imperador a uma cidade real ou uma visita imperial.

A expectativa da vinda messiânica do Senhor do céu à terra com toda a Sua glória, poder e domínio, começou com a revelação do plano de Deus ao Seu povo de Israel.

Toda a comunidade de Deus esperava pela presença e ação final de Deus para com o seu povo :

- Sob o seu reinado, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Então será este o seu nome Javé - nossa justiça.(Jer.23/6).

Eles esperavam o estabelecimento de um Reino de paz.

Eles esperavam tanto a destruição como a salvação que haviam de levar a um grande julgamento de gentios e de judeus :

- Esmagarei o assírio na Minha terra e calcá-lo-ei aos pés sobre os Meus montes...(Is.14/25).

Na visão de Daniel lê-se o seguinte :

- Contemplando sempre a visão noturna, vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho do homem: avançou até ao ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas soberania, glória e realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas O servem. O Seu império é um império eterno que não passará jamais, e o Seu reino nunca será destruído.(Dan.7/13-14).

Esta expectativa cumpriu-se em Jesus Cristo.

No Novo Testamento a Parusia refere-se à Segunda vinda de Cristo ou à Sua "presença" no fim da história.

Jesus mencionou a Parusia em termos do "Filho do Homem" :

- Porque, assim como o relâmpago sai do Oriente e brilha até ao Ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem. (Mt.24/27).

- Como foi nos dias de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem. (Mt.24/37).

- ...E não deram por nada até chegar o dilúvio, que todos arrastou. Assim será também a vinda do Filho do Homem. (Mt.24/39).

No dia da Ascensão do Senhor, dois homens vestidos de branco disseram :

- "Homens da Galileia, porque estais assim a olhar para o céu ? Esse Jesus, que vos foi arrebatado para o Céu, virá da mesma maneira, como agora O vistes partir para o Céu. (At.1/11)

S. Paulo também fala vária vezes de Cristo na Sua Parusia :

- Porque assim como todos morrem em Adão, assim também, em Cristo, todos serão vivificados. Cada qual, porém, na sua ordem: Cristo, como primícias; depois os que são de Cristo, por ocasião da Sua vinda. (1 Cor.15/22-23).

- Porventura não sois vós a nossa esperança, a nossa alegria, a nossa coroa de glória, diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, no dia da Sua vinda ? (1 Tes.2/19).

- Ele confirme os nossos corações e os torne irrepreensíveis em santidade, diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os Seus santos.(1 Tes.3/13).

- Por ocasião da vinda do Senhor, nós, os que estivermos vivos, não precederemos os mortos..(1 Tes.4/15).

- Que o Deus da paz vos santifique inteiramente, e que todo o vosso ser - espírito, alma e corpo - se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(1 Tes.5/23).

S. Marcos fala assim da Parusia :

- Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol escurecer-se-á e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão nos céus serão abaladas. Então verão vir o Filho do Homem sobre as nuvens com grande poder e glória... (Mc.13/24-26).

E S. Pedro fala também da Parusia nestes termos :

- Porém, o dia do Senhor virá como um ladrão; os céus passarão com grande estrondo, os elementos abrasados dissolver-se-ão e a terra e todas as obras, que nela há, serão consumidas.(2 Pe.3/10).

Depois será o Juízo Final de que nos fala S. Mateus :

- Quando o Filho do Homem vier na Sua glória, acompanhado por todos os Seus anjos, sentar-Se-á, então, no Seu trono de glória... (Mt.25/31).

Os redimidos entrarão na ressurreição do céu :

- Vinde benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. (Mt.25/34).

No Credo de Niceia a Igreja professa :

- De novo há-de vir em Sua glória, para julgar os vivos e os mortos.

O Catecismo da Igreja Católica, referindo-se ao tempo da Parusia diz :

1001. - Quando ? Definitivamente "no último dia"(Jo.6/39-40, 44, 54; 11/24); "no fim do mundo"(LG 48). Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo : - Ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.(l Tes.4/16). (CIC 1001).

A Parusia está, portanto, integrada no plano da História da Salvação.

 

 
 
Parusia - A Segunda Vinda de Cristo      
  
 
São João Paulo II 




“Não devemos esquecer que o “éschaton”, isto é, o evento final, entendido de maneira cristã, não é só uma meta posta no futuro mas uma realidade já iniciada com a vinda histórica de Cristo... Sabemos, por outro lado, que as imagens apocalípticas do discurso escatológico [de Jesus, Mt 26, 64] a propósito do fim de todas as coisas, devem ser interpretadas na sua intensidade simbólica. Elas exprimem a precariedade do mundo e o soberano poder de Cristo, em cujas mãos está posto o destino da humanidade. A história caminha rumo à sua meta, mas Cristo não indicou qualquer prazo cronológico. Ilusórias e desviantes são, portanto, as tentativas de previsão do fim do mundo. Cristo só nos assegurou que o fim não acontecerá antes que a Sua obra salvífica tenha alcançado uma dimensão universal através do anúncio do Evangelho:
 
“Esta Boa Nova do Reino será proclamada em todo o mundo para dar testemunho diante de todos os povos. E então virá o fim” (Mt 24,14). Jesus diz estas palavras aos discípulos preocupados por conhecer a data do fim do mundo. Eles teriam sido tentados a pensar numa data próxima. Jesus faz com que conheçam que muitos eventos e cataclismos devem acontecer antes e serão apenas “o princípio das dores” (Mc 13, 8). Portanto, como diz Paulo, toda a criação “geme e sofre nas dores do parto” aguardando com impaciência a revelação dos filhos de Deus (cf.Rom 8,19´20). A obra evangelizadora do mundo comporta a profunda transformação das pessoas humanas sob a influência da graça de Cristo. Paulo indicou a finalidade da história no desígnio do Pai de “reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há no Céu e na Terra” (Ef 1, 10). Cristo é o centro do universo que atrai todos a Si para lhes comunicar a abundância da graça e da vida eterna. A Jesus o Pai deu “o poder de julgar porque é o Filho do Homem” (Jo 5, 27).
 
Se o juízo prevê obviamente a possibilidade da condenação, ele contudo é confiado Àquele que é “Filho do Homem”, isto é, a uma pessoa plena de compreensão e solidária com a condição humana. Cristo é um juíz divino com um coração humano, um juíz que deseja dar a vida. Só o enraizamento obstinado no mal pode impedir´lhe fazer este dom, pelo qual Ele não hesitou enfrentar a morte.” 

(L’Osservatore Romano, n.17 ´ 25/4/1998).
 

 

 

 

 

Liturgia e Apocalipse

O livro do Apocalipse é um dos mais lidos e comentados do Novo Testamento, isto porque que este livro causa um certo impacto e uma certa expectativa no leitor. Estas expectativas acontecem devido: o seu estilo, as imagens presentes no texto,  aspectos catastróficos etc. Por isso,  tem-se num conceito popular uma visão meio que deturpada deste livro onde a concepção que se sobressai é de um livro que conta as possíveis catástrofes vindouras na história e também do fim dos tempos. Com isso, sua leitura gera uma insegurança e um medo no leitor. Mas afinal, o que significa apocalipse? Qual a relação entre o Apocalipse e a liturgia?

Apocalipse (em grego, apokálypsis=revelação) é um gênero literário que se tornou usual entre os judeus após o exílio da Babilônia (587-583 a.c) trata-se sobre o fim dos tempos: descreve o juízo de Deus sobre os povos, de modo a punir os maus e premiar os bons. Essa intervenção de Deus é acompanhada de sinais que abalam a natureza (todo o apocalipse descreve sempre cenários cósmicos); é freqüente o recurso a símbolos e números simbólicos nesse gênero literário. Sobre este pano de fundo o autor do Apocalipse quis proceder de modo que: descreveu cenas de horríveis calamidades (simbolizando os males que os cristãos sofrem no cotidiano da sua existência terrestre), entrecortadas por visões da corte celeste, onde os anjos e os santos cantam “Aleluia! A vitória compete ao Cordeiro que foi imolado e está de pé”. Assim, estes acontecimentos descritos no Apocalipse só podem ser entendidos a luz do “Evento Cristo”.

Jesus Cristo é a chave de leitura para a compreensão do Apocalipse, ou seja, este trata da celebração dos mistérios de Cristo. E sendo celebração podemos afirmar tendo base em algumas perícopes que esta é uma grande liturgia. Esta liturgia da celebração dos mistérios de Cristo fora dada a Igreja que tem a autoridade de salvaguardá-la e de utiliza-la como caminho de salvação e de contemplação do “Eterno no tempo”, conduzindo assim por meio destes os seus fiéis até que se chegue o “Dia do Senhor”. A liturgia é ação do “Cristo total”, os que agora a celebram, além dos sinais, participam já da liturgia do céu, onde a celebração é inteiramente Comunhão e Festa.

No livro do Apocalipse nos deparamos com alguns símbolos de nossa liturgia: incenso, altar, oficiantes por vezes designados como sacerdotes, participantes que se prosternam, adoram, cantam a glória de Deus e de sua obra em Jesus Cristo por meio de hinos de caráter muito tradicional. O Aspecto litúrgico de numerosa passagens do Apocalipse salta aos olhos do leitor menos mentalizado. Por vezes tem-se o sentimento de assistir a um diálogo litúrgico entre um oficiante e uma comunidade que lhe responde. Várias destas proclamações, especialmente o Santus, figuram hoje entre as partes essenciais das grandes liturgias cristãs, ou seja, a “Santa Missa”.

O capítulo quatro nos apresenta a “Liturgia Celeste”, nela podemos perceber a presença de “um trono que está colocado no céu e nele sentado alguém cujo aspecto era de jaspe e cornalina” (Ap4,2,3). Ao redor deste trono “havia vinte e quatro anciãos, com veste brancas e coroas de ouro na cabeça” (Ap4,4). Deste trono “saíam relâmpagos e ouviam-se trovões. Sete tochas de “fogo ardiam diante do trono, os sete espíritos de Deus”. No centro rodeando o trono estavam quatro seres com aspecto de: leão, touro, homem e águia. Estes seres de dia e de noite davam graças àquele que estava sentado no trono e diziam: “Santo, santo, santo, Senhor Deus Todo-poderoso, aquele que era e é e será” (Ap4,8).

O quinto capítulo traz presente um problema que é encontrar o significado do misterioso livro que ocupa neste capítulo tão grande lugar. Aparece também a figura de um Cordeiro Imolado que tem a missão de abrir o rolo e soltar seus selos. Diante disso todas as criaturas cá no céu ou na terra diziam: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Outro capítulo importante para esta realidade é o sétimo que traz presente a realidade daqueles que se salvam: “ouvi o número dos marcados com o selo” (Ap 7,4). Depois foi avistada uma multidão enorme que ninguém podia contar e estes gritavam: “A vitória ao nosso Cordeiro” (Ap 7,10). Estes estavam de vestes brancas e saíram da tribulação e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro. O capítulo oitavo fala dos sete anjos que estavam diante de Deus e que a eles foram entregues sete trombetas. Veio assim um outro anjo que se colocou diante do altar com um turíbulo fumegante e da sua mão subia a fumaça de incenso com as “orações de todos os santos até à presença de Deus” (Ap 8,4). O anjo tomou o turíbulo e arremessou à terra.

Os capítulos 21-22 do livro do Apocalipse nos trazem uma visão de uma Igreja que fora descida do céu a “nova Jerusalém”, a cidade santa que “descendo do céu, de junto de Deus, preparada como noiva que se apronta para o noivo” (Ap21,2).

O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos primeiro que “um trono estava erguido no céu e Um sentado no trono” (Ap4,2): Este podemos dizer que é o Senhor Deus. Depois logo revela o Cordeiro, “imolado e de pé” (Ap 5,6), Este é o Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo Sacerdote do santuário verdadeiro, o mesmo “que oferece e que é oferecido, que dá e que é dado”, isto podemos ouvir nas palavras da Consagração “que será dado por vós e por muitos para a remissão dos pecados”. E por último, revela “o rio da Vida que brota do trono de Deus e do Cordeiro” (Ap 22,1), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo.

Recapitulados em Cristo, participam do serviço do louvor de Deus e na realização de seu intuito: as Potências Celestiais, toda a criação (os quatro viventes), os servidores da Antiga e da Nova Aliança (os vinte e quatro anciãos), o novo Povo de Deus (os cento e quarenta e quatro mil), em particular os mártires “degolados por causa da Palavra de Deus” (Ap 6,9-11), e a Santíssima Mãe de Deus ( Ap 12) e finalmente “uma multidão imensa, que ninguém poderia contar, de toda nação, raças, povos e línguas” (Ap 7,9). Ora, onde na terra encontramos uma Igreja universal que adora de uma forma fiel à visão de João? Onde encontramos sacerdotes paramentados de pé à visão diante de um altar? Onde encontramos homens consagrados ao Celibato? Onde ouvimos anjos serem invocados? Onde a arte exalta a mulher coroada de estrelas, com a lua debaixo dos pés, que esmaga a cabeça da serpente? Onde os fiéis suplicam a proteção do arcanjo São Miguel?

Onde mais, a não ser na Igreja Católica e, mais especificamente na Missa? São João Paulo II, dizia: ‘’ que a Missa é o céu na terra” e ele explicou que “a liturgia que celebramos na terra é misteriosa participação a liturgia celeste”. Assim, a nossa liturgia participa da liturgia celeste! Na missa, já estamos no céu. Dessa maneira, precisamos aprender a ver o Apocalipse como a Igreja o vê, ou seja, se queremos entender o sentido do Apocalipse, temos que aprender a lê-lo com uma imaginação sacramental. Podemos então perceber que os símbolos trazidos pelo Apocalipse estão em nossa liturgia:

Missa dominical – 1,10

Sumo sacerdote- 1,13

Altar- 8,3-4; 11,1;14,18

Sacerdotes 4,4; 11,15; 14,3; 19,4

Paramentos 1,13; 4,4;6,11; 7,9;15,6;19,13-14

Celibato consagrado 14,4

Candelabros 1,12;2,5

Penitência caps.2 e 3

Incenso 5,8; 8,3-5

O livro 5,1

A hóstia eucarística 2,17

Taças (cálices) 15,7; 16;21,9

O sinal-da-cruz 7,3; 14,1; 22,4

O glória 15,3-4

O Aleluia 19,1.3.4.6

Corações ao alto 11,12

O “Santo, Santo, Santo” 4,8

O Amém 19,4 ; 22,20

O “Cordeiro de Deus” 5,6

Virgem Maria 12,1-6.13-17

Intercessão dos anjos e santos 5,8; 6,9-10; 8,3-4

Devoção a são Miguel 12,7

Antífona 4,8-11;5,9-14; 7,1-12; 18,1-8

Leituras das Escrituras 2-3;5;8,2-11

O Sacerdócio dos fiéis 1,6; 20,6

Catolicidade ou universalidade 7,9

Contemplação silenciosa 8,1

O banquete das núpcias do Cordeiro 19,9.17

(HANN, 2002,p.107-108).

Portanto, o Apocalipse trata de uma reflexão sobre o culto, e este culto é a antecipação do Fim, do Julgamento, do Reino que acontece na Santa Missa. Contudo, tanto o Apocalipse quanto a liturgia nos falam sobre o Fim, pois, o fim tem o seu nome: Jesus Cristo. E é a este que a Igreja clama incessantemente numa única voz; “Maranatá”, ou seja, “ Vem, Senhor Jesus!”. Nesta grande prece a Igreja clama o nome de Jesus e se prepara para a parusia.

 

 

 

 

 


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