SAGRADA TRADIÇÃO

 

Os Padres da Igreja

"Padres da Igreja são chamados com razão aqueles santos que, durante os primeiros séculos, a geraram e formaram com a força da fé e a profundidade e riqueza dos seus ensinamentos", São João Paulo II, Carta Ap. Patres Ecclesiae, 2-I-1980.

 

O termo, Padres do Deserto inclui um grupo influente de eremitas e cenobitas do século IV que se estabeleceram no deserto egípcio. As origens do monaquismo oriental se encontram nessas ermidas primitivas e comunidades religiosas. Paulo de Tebas é o primeiro eremita do qual se tem notícia, a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica e Pacômio de Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo. Ao final do terceiro século, contudo, o venerado Antão do Egito orienta colônias de eremitas na região central. Logo, ele se torna o protótipo do recluso e do herói religioso para a Igreja oriental - uma fama devida em grande parte à vasta louvação na biografia de Atanásio sobre ele. Esses primitivos monásticos atrairam um grande número de seguidores aos seus retiros austeros, através da influência de sua simples, individualista, severa e concentrada busca pela salvação e união com Deus. Os Padres do Deserto eram frequentemente solicitados para direção espiritual e conselho aos seus discípulos. Suas respostas foram gravadas e colecionadas num trabalho chamado "Paraíso" ou "Apotégmas dos Padres".

 

O Vaticano II nos convida a renovar a Teologia à luz de suas fontes no Evangelho e nos Padres da Igreja, do Oriente e Ocidente e dos Padres do Deserto; (ver "Unitatis Redintegratio" 15ss). Este site quer prestar um serviço à Igreja peregrina e propiciar aos que ainda não tiveram um contato com os Santos Padres do Deserto, uma fonte de pesquisa em português. Que eles mesmos nos inspirem um retorno salutar às fontes do Pão da Palavra e do Pão Eucarístico e assim sermos capazes de também matar a fome do homem de hoje. Fome do Pão e da Palavra. E que assim tenhamos Vida em abundância.
 
"No Oriente se encontram também as riquezas daquelas tradições espirituais, expressas sobretudo pelo monaquismo. Pois desde os gloriosos tempos dos santos Padres floresceu no Oriente aquele elevada espiritualidade monástica, que de lá se difundiu para o Ocidente e da qual a vida religiosa dos latinos se originou como de sua fonte e em seguida, sem cessar, recebeu novo vigor. Recomenda-se, por isso, vivamente que os católicos se abeirem com mais frequência destas riquezas espirituais dos Padres do Oriente que elevam o homem todo à contemplação das coisas divinas." (UR 15)
 
 
PRIMEIROS CRISTÃOS:

QUEM ERAM?

 


 

1.“PARTE DO SEU PRÓPRIO MUNDO”

Os primeiros cristãos consideravam-se parte integrante do seu próprio mundo: “o que a alma é para o corpo, isso é o que os cristãos são para o mundo” (Epístola a Diogneto) .

Não se distinguiam dos outros homens do seu tempo, nem pelas suas roupas, nem pelas suas insígnias, nem por terem uma cidadania diferente.

Cada um dos primeiros cristãos ocupava um lugar na estrutura social do seu tempo, o mesmo que tinha antes de se converter. Se era escravo não perdia a sua condição ao tornar-se cristão apesar da sua vida adquirir uma dimensão sobrenatural. Essa atitude cristã leva a uma grande abertura para assimilar os valores positivos, que existiam no paganismo. Assim comentará S. Justino dos pensadores pagãos: “quanto, pois, de bom está dito em todos eles, pertence-nos a nós, os cristãos”.  (cfr. Enciclopedia GER, Cristianos, Primeros II. Espiritualidad)


 

2.“A vida que levam não tem nada de estranho”

“Os cristãos não se diferenciam nem pelo país onde vivem, nem pela língua que falam, nem pelo modo de vestir. Não se isolam nas suas cidades, nem empregam linguagens privadas: a mesma vida que levam não tem nada de estranho. A sua doutrina não nasce de discussões de intelectuais nem tão pouco seguem, como tantos fazem, um sistema filosófico, fruto do pensamento humano. Vivem em cidades gregas ou estrangeiras, conforme o caso, e adaptam-se às tradições locais. O mesmo acontece com a forma de vestir e na alimentação, e dão-nos testemunho nas coisas de cada dia de uma forma de viver que, segundo a opinião de todos nós, tem algo de extraordinário”. (vid. Autor desconocido, Siglo II-III, Carta a Diogneto)

 

3. Cumprem as leis

“Eu honrarei o imperador, mas não o adorarei; rezarei, no entanto, por ele. Eu adoro o Deus verdadeiro e único por quem sei que o soberano foi feito. Então poderias perguntar-me: ¿E porquê, porque não adoras o imperador? O imperador, pela sua natureza, deve ser honrado com legítima deferência, não adorado. Ele não é Deus, senão um homem a quem Deus pôs aqui, não para que seja adorado, mas para que exerça justiça na terra. O governo do Estado foi-lhe confiado de alguma forma por Deus. E assim como o imperador não pode tolerar que o seu título seja levado por quantos lhe estão subordinados –ninguém, de facto, pode ser chamado imperador-, da mesma maneira ninguém pode ser adorado excepto Deus. O soberano portanto deve ser honrado com sentimentos de reverência; há que prestar-lhe obediência e rezar por ele. Assim se cumpre a vontade de Deus”. (SAN TEÓFILO DE ANTIOQUÍA, Siglo II, Libros a Autólico)

 

4. VIVEM NA HONESTIDADE: Iguais aos seus contemporâneos

“Acusam-nos de sermos improdutivos nas várias formas de actividade. Mas ¿como se pode dizer isto de homens que vivem convosco, que comem como vós, que vestem da mesma forma, as mesmas roupas, que seguem o mesmo género de vida e têm as mesmas necessidades de vida?

Nós concordámos darmos graças a Deus, Senhor e Criador, e não recusamos nenhum fruto da sua obra.

Usamos as coisas com moderação, e não de forma descomedida ou perversa. Convivemos com vocês e frequentamos a comunidade, o mercado, os banhos, as tendas, as oficinas, os estábulos, participando em todas as actividades.

Navegamos também em conjunto com vocês, militamos no exército, cultivamos a terra, fazemos comércio, trocamos mercadorias e vendê-mo-las, para vosso uso, o fruto do nosso trabalho. Eu sinceramente não entendo como podemos parecer inúteis e improdutivos nos vossos assuntos, quando vivemos com vocês e para vocês.

Sim, há gente que tem motivos para se queixar dos cristãos, porque não pode negociar com eles: são protectores de prostitutas, de rufias e dos seus  cúmplices; os criminosos seguem-nos, os envenenadores, os encantadores, os adivinhos, os feiticeiros, os astrólogos. ¡É maravilloso ser improdutivo para esta gente!... E depois, nas prisões não encontrais um único cristão, a não ser que esteja aí por motivos religiosos. Nós temos aprendido com Deus a viver na honestidade”.(TERTULIANO, Siglo II-III, El Apologético)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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